quinta-feira, 7 de julho de 2011

Blog da Amanda: Porque não aceitei o prêmio do PNBE

Blog da Amanda: Porque não aceitei o prêmio do PNBE: "Oi, Nesta segunda,o Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE) vai entregar o prêmio 'Brasileiros de Valor 2011'. O júri me escolheu,..."

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ENSINAR TEM CHEIRO DE OFICINA

Quando eu tinha cinco anos de idade, costumava ir à oficina de meu avô e explorar os mais intrigantes objetos. Ele era um sapateiro. Não daqueles que, heróicamente, vivem a custa de pequenos consertos em botas ou sapatos; ele os construía do couro bruto até a última pincelada de tinta preta. Eu sentia o cheiro do couro, da tinta, da cola e do pó. Com cinco anos de idade, a imagem de um homenzarrão de avental de couro e uma faca afiada na mão impunha muito respeito. Mostrava-me o couro cru sobre o balcão, os moldes, os cortes, as formas, as máquinas de lixar que ele próprio inventara e o processo de fabricação até o produto final sobre a prateleira. 

Mas não era essa imagem rude que me fascinava. Era seu jeito carinhoso de pegar-me no colo, abrir um jornal e explicar com uma paciência enorme o som de cada sílaba e o nome de cada letra. Não havia uma didática especializada, não havia nenhum método pedagógico específico, mas fui alfabetizado. Aprendi a ver o mundo inteiro através daquelas páginas enormes suspensas no ar por mãos calejadas, rudes, ásperas.

O que fez a diferença? Por que ainda hoje lembro de sua voz, de suas correções e de seus elogios? Porque havia amor. As botas cano alto, os sapatos de salto ou o meu processo de alfabetização recebiam uma espécie de atenção que só existe naqueles que amam. Essa marca carrego ainda hoje. Lembro-me do carinho, da dedicação, das broncas e dos elogios.

Hoje meu jeito de ensinar está impregnado pela memória de meu avô. Provoco meus alunos, aponto falhas, elogio seus progressos e acima de tudo, respeito-os.

Quando leciono, provoco reflexões, assumo o argumento contrário e luto por ele até ser esmagado pela opinião bem fundamentada de meus alunos. Faço o contrário também. A síntese é construída por todos nós.

Quando apresento um conhecimento já elaborado por um autor, vou trocando idéias com meus alunos para que esse conhecimento possa ser incorporado, ligado, relacionado aquilo que eles próprios ja construiram, possibilitando-lhes a aprendizagem significativa como diz o educador David Ausubel.

A maiêutica socrática em que uma idéia se faz nascer e em seguida é lapidada por meio de diálogo argumentativo é o tom de minhas conversas com os alunos.

Leciono em cursos de pós-graduação. Como trabalho final, os alunos precisam construir um texto. Escolhem o tema, a forma de desenvolver o artigo, as obras à serem pesquisadas, o problema a ser levantado e a hipótese a ser defendida ou negada. Esses alunos tem a possibilidade de criar, de serem autores. Em suas próprias vidas é isso que precisam constantemente fazer. Quando desistem desse projeto, tornam-se escravos da mídia, da sociedade capitalista, da ostentação dos bens materiais, da moda e do consumismo em detrimento dos valores humanos de solidariedade, amizade, tolerância e de luta por igualdade e justiça social.

Entretanto, surgem alunos que não "aderem" ao processo. Preferem aulas expositivas nas quais tudo é sintetizado e explicado de forma que possam, passivamente, receber as informações e anotá-las pensado que suas anotações, uma vez memorizadas, podem ser transformadas em notas. Triste realidade.

Os alunos que aderem ao processo são diferentes. São autores de sua própria história, como diria Paulo Freire. Assim, o desafio de alcançar os alunos passivos torna-se maior. É preciso dizer "não importa a nota, o que você veio fazer aqui?" , "De que forma posso lhe ajudar?". Enfim, é preciso colocá-los no colo, abrir um jornal e carinhosamente ajudá-los a entender o mundo. Ajudá-los a perceber que não são as letras que importam, mas o que elas dizem. De vez em quando, uma bronca, uma provocação, uma pergunta para guardar. Outras vezes, é preciso mostrar o couro cru sobre o balcão e a bota de cano alto na prateleira, deixando que a imaginação preencha o espaço entre eles.

Meu avô faliu. A indústria de calçados aprendeu a fazer sapatos em série e a diminuir os preços. Ninguém mais queria suas botas e seus sapatos. Preferiam tênis ou sapatos que logo pudessem ser substituídos por outros mais modernos, "da moda". Entretanto, meu avô jamais foi um fracassado. Ele teve sucesso numa das maiores e mais significativas missões: educar.

 
MARCOS MEIER é mestre em Educação, psicólogo, escritor e palestrante.
O texto acima é parte integrante do livro "SAPATOS E LETRAS", do Prof. Marcos.
Este e todos seus outros livros, você encontra no site  http://www.kapok.com.br/.

Elogie do jeito certo.


Elogie do jeito certo.

                                                            
Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante[1]. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” ... e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” ... e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.
Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo... você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram... você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito  legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.
 MARCOS MEIER é mestre em Educação, psicólogo, escritor e palestrante.
Seus textos encontram-se no site www.marcosmeier.com.br e seus livros no www.kapok.com.br.


fonte: http://www.marcosmeier.com.br/colunas.php?id=19

terça-feira, 24 de maio de 2011

Janusz Korczak: Como amar uma criança...

 Janusz Korczak: Como amar uma criança...
Rafael F. Scharf
Vice-Presidente da Associação Internacional Janusz Korczak da Inglaterra
A vida de Janusz Korczak é tão tocante que, ao contá-la, é necessário evitar a ênfase patética que se impõe, a fim de permanecer-se fiel àquele sobre o qual falamos.

Ele era, na mais profunda acepção do termo, um homem simples, toda afetação lhe era estranha. É certo que ele não imaginava que seu nome seria célebre, e é por isto que cada vez que o glorificamos publicamente, inaugurando um monumento em sua homenagem, eu me pergunto qual seria o seu comentário se sua boca de pedra pudesse falar.

Sua história foi recontada inúmeras vezes e continuará sendo, porque ela mostra melhor, sem dúvida, não importando o caso particular, o horror inexprimível da última guerra e a exterminação dos judeus poloneses.

Em 5 de agosto de 1942, durante a liquidação do gueto de Varsóvia, os hitleristas ordenaram o agrupamento das crianças do orfanato de Korczak e o envio das mesmas ao campo de morte de Treblinka. O ‘Velho Doutor’ reuniu duzentos pupilos, os fez colocar-se sabiamente em fileiras e, à sua frente, partiu com eles para o ‘Umschlagplatz’, no cruzamento das ruas Stawki e Dzika, onde todos foram colocados em vagões de carga e enviados para os fornos crematórios.

Esta marcha nas ruas do gueto foi vista por algumas centenas de pessoas, e a silhueta pequena de Korczak dirigindo-se para seu calvário, inconsciente de seu heroísmo, fazendo aquilo que lhe parecia evidente, excitava as imaginações. A novidade espalhou-se imediatamente, repetida de boca em boca com a força de detalhes inventados: que Korczak carregava nos braços os dois menores, coisa pouco provável, porque ele mesmo estava doente e tinha dificuldades em andar; que o ‘Jundenrat’ tinha intervindo no derradeiro momento e tinha despachado em seguida um mensageiro atrás da fila, portador de um salvo conduto somente para Korczak, que foi por ele rejeitado com desprezo; que para apaziguar as crianças ele tinha lhes dito que iam em excursão e que eles, confiantes, o seguiam sem choro e sem protesto. Mas nenhum embelezamento é necessário diante dessa verdade nua e crua; não é preciso ajuntar qualquer coisa para torná-la mais eloqüente. A antítese do espírito e das dificuldades é clara e definitiva: um homem sábio por excelência, desinteressado e bom, opondo-se aos covardes, bárbaros obtusos, que se mostravam sob seu aspecto mais satânico.

Entre os milhões de mortes anônimas, a de Korczak tem um grande significado. Nos campos e guetos, ele se tornou para muitos, uma inspiração, pois aí o que mais ajudava a sobreviver era a convicção obstinada e indestrutível que a dignidade humana poderia vencer , embora tudo parecesse provar o contrário.

A imprensa clandestina dos campos mostra bem o quanto esta derradeira caminhada sublime do Velho Doutor foi um reconforto e uma dose de ânimo para seus contemporâneos. A partir daí sua glória tem crescido e o mundo fez de Korczak um símbolo moral.

É preciso que nossa atenção à sua morte não obscureça o caráter de sua vida. Henryk Goldszmit (este era o seu verdadeiro nome – Janusz Korczak foi um pseudônimo tirado de um romance pouco conhecido de Kra Szewski) nasceu em Varsóvia há pouco mais de cem anos numa família abastada. O fato de seu pai ter sido um advogado conhecido e seu avô um médico mostra até que ponto o seu meio foi assimilado. Ele cresceu na solidão, preservado das influências do exterior, sem se dar conta de que era judeu e sem saber o que isso significava. Antes de terminar a escola ele perdeu o seu pai, atingido por uma doença mental. A miséria sucedeu a abundância. O jovem Henryk tomou sobre si, da maneira como pode, o encargo de sua mãe e irmã, e nos anos seguintes, freqüentemente passando fome, estudou medicina com enormes dificuldades. Quando, por fim, obteve seu diploma, as coisas começaram a melhorar, contribuindo também para isso sua reputação de escritor que se afirmava. Mas isto não durou muito tempo. Repentinamente um tipo de necessidade interior mudou completamente seu destino.

Com trinta e quatro anos ele abandonou o exercício da medicina para se ocupar de um orfanato, que do início ao seu fim, permaneceu associado ao seu nome. A idéia fixa de consagrar sua vida às crianças parecia possuí-lo. Ele não era um idealista ingênuo; o que o caracterizava era uma compreensão extraordinária da criança e a convicção da necessidade de lutar pelos seus direitos no mundo governado pelos adultos. Ele não tinha confiança no mundo governado pelos adultos, mas como cada verdadeiro reformador ele julgava que mesmo uma só pequena vela acesa valia mais que lamentar-se de escuridão. Sua intuição não excluía sua sensibilidade e ela está edificada sobre uma observação constante, clínica, poder-se-ia dizer, sobre um estudo minucioso dos fatos. Totalmente absorvido por sua única idéia, não havia lugar nele para tudo que os outros davam tanta importância – dinheiro, a celebridade, um lar, uma família.

Seu orfanato, construído e mantido exclusivamente graças às doações de pessoas caridosas, era destinado às crianças dos bairros pobres de Varsóvia. A obtenção de fundos para fins de caridade tinha então, como hoje, seu aspecto desagradável, que freqüentemente irrita aqueles que dela dependem. Korczak balançava a cabeça em desaprovação perante o preço do material gasto para encerar o assoalho antes de um baile de benemerência e ele se lamentava do tempo que perdia com quem vinha visitar o orfanato. Mas a força de sua personalidade fazia que os doadores considerassem uma honra o financiamento de seu trabalho.

No domínio da educação e da psicologia da criança, ele era um pensador pragmático original e, ao mesmo tempo, um pioneiro de princípios que serviam de modelos para outros. Ele se esforçava constantemente de refazer seu sistema baseado sobre a compreensão das necessidades mais profundas da criança. Sua influência se exercia tanto por sua presença direta quanto pelo que escrevia no jornal do orfanato preparado pelas crianças e destinados à elas mesmas; a leitura em comum dessa publicação era um acontecimento semanal dos mais importantes. Conta-se que ao longo de 30 anos de seu trabalho intenso, ele jamais deixou de fornecer um artigo por semana à redação. As regras do orfanato eram seguidas por um código, cujo parágrafo 1000 previa como a pena mais alta, a expulsão pura e simples. Cada criança que tinha reclamação contra outra tinha o direito de a fazer comparecer perante um tribunal composto por seus colegas. Korczak mesmo, se tivesse sido convocado, teria de se apresentar perante este tribunal e de se submeter a sua sentença.

À noite, após uma ronda em todos dormitórios, o Velho Doutor retornava ao seu quarto no sótão, a única ‘casa’ que ele teve durante toda a sua vida adulta, e lá, até tarde da noite, ele colocava ordem em suas notas e escrevia.

Ele era um escritor fecundo tanto no seu domínio profissional quanto, e antes de tudo, na sua criação para as crianças e sobre as crianças. Seus livros ilusoriamente simples nas suas formas e conteúdos, impregnados na mesma proporção de melancolia e humor, refletindo seus anseios interiores, muitas vezes satiricamente áspero em relação a sociedade, sempre cheios de emoção e compreensão, deixavam traços duráveis na memória de seus leitores jovens e velhos, destinando-se a ficar gravados na história da literatura desse gênero.
Lá pelos meados dos anos trinta Korczak envolveu-se em dois empreendimentos na Palestina. O que ele aí viu o comoveu e o refrescou espiritualmente. Sob o encorajamento de numerosos amigos e antigos discípulos ele começa então a pensar seriamente em fixar-se lá para sempre. Mas havia obstáculos. O que o atormentava sobretudo, era o medo de não encontrar um sucessor adequado para continuar seu trabalho em Varsóvia. Ou seja, o pensamento de se afastar de sua terra natal lhe era insuportável. Nas cartas que ele escrevia aos seus amigos para explicar as causas de suas hesitações ele invocava o ‘seu Vístula’ e ‘sua Varsóvia bem-amada’, das quais ele jamais se consolaria se tivesse que deixar. Além do mais, ele estava sem dinheiro e hesitava em se colocar dependente de qualquer um.

Quando os hitleristas fecharam os judeus de Varsóvia dentro do gueto, o orfanato perdeu sua casa à Rua Kruchmalna, do lado ‘ariano’, e transportou-se para locais provisórios, no interior dos muros do gueto. Naquele momento Korczak já percebia melhor que a maioria das pessoas que a máquina impiedosa os mataria a todos. Mas ele pensava em não renunciar ao seu direito de aliviar os sofrimentos. Alquebrado e doente, cada dia ele reunia as forças que lhe restavam e partia à procura de viveres e de medicamentos para as crianças. Às vezes ele não trazia nada de suas buscas obstinadas, outras vezes ele voltava somente com uma ínfima parte do necessário. Ele não temia solicitar com impertinência, de mendigar, de envergonhar as pessoas que se esquivavam de sua nobre ação. Nos dias em que ele nada encontrava ele não hesitava em dirigir-se mesmo aos piores especuladores e opressores judeus. Apesar de fome incessante cada vez mais insuportável e às doenças sempre mais freqüentes, ele cuidava para que seu orfanato funcionasse normalmente, a fim de que seus alunos pudessem sentir-se bem. Freqüentemente ele trazia dos locais mais distantes uma nova criança encontrada na rua, no fim de suas forças, para quem a bondade do Velho Doutor significava a salvação durante algum tempo ainda.

Nestas condições rigorosas levadas ao extremo e que em tempo normal é difícil de se imaginar, nós temos em Korczak, no seu trabalho cotidiano, um exemplo do que pode fazer um genuíno homem guiado pelo amor.

Sua vida é um modelo e somos tentados a ver nele, nesta silhueta franzina revestida de avental de inspetor que ele usava habitualmente, um exemplo típico de toda uma geração, uma encarnação da ‘idade da criança’. Sua grandeza, que consistia nem mais nem menos em fazer seu dever, podia ser aquela de qualquer um, e mesmo sua morte trágica foi uma coisa comum, lá onde o martírio estava na ordem do dia.

Durante o ‘Ano Korczak’, instituído pela UNESCO para celebrar o centenário de seu nascimento, os escritores, os sábios, as pessoas de boa vontade em todas as partes do mundo, procuraram enriquecer-se com o conhecimento desse homem e de suas idéias, de sua vida e de sua morte, através de livros, de artigos e simpósios.

É de se supor que graças a isto, numerosos são aqueles que tomaram conhecimento do seu nome e do que ele significa. Sem dúvida é na Polônia e em Israel que ele é mais conhecido. Mas, nesse mundo barulhento e apressado de hoje em dia, a lembrança empalidece rapidamente. A despeito de todos os esforços ela desaparece progressivamente, sob uma massa de outros negócios. Aqueles que amam Korczak e que crêem na força de seu exemplo sentiam que era necessário encontrar um modo mais concreto de imortalizar sua figura e suas idéias. Assim souberam com alegria que uma obra grandiosa seria realizada na Polônia com a aprovação e a sustentação financeira do governo: um Instituto Científico de Proteção e Educação Janusz Korczak.

Foi-lhe destinado um espaço deslumbrante de uma centena de hectares lá onde Vístula – o Vístula bem-amado de Korczak – contorna a localidade de Lomianski. O projeto já está pronto.

É um empreendimento magnífico que levará seu nome. Não uma estátua de bronze ou de mármore, mas um centro cheio de vida, para onde virão crianças de perto e de longe, onde elas crescerão, se instruirão, se divertirão juntas, próximas à natureza, numa atmosfera de compreensão e boa vontade para com todos. Os educadores e os professores aí se reunirão para aprender observar, para participar das experiências de trabalho com as crianças e os adolescentes, para aproximar-se da realização dos sonhos de Korczak, mesmo que isso seja um passo apenas para um mundo no qual as crianças possam viver felizes.


É um empreendimento magnífico que levará seu nome. Não uma estátua de bronze ou de mármore, mas um centro cheio de vida, para onde virão crianças de perto e de longe, onde elas crescerão, se instruirão, se divertirão juntas, próximas à natureza, numa atmosfera de compreensão e boa vontade para com todos. Os educadores e os professores aí se reunirão para aprender observar, para participar das experiências de trabalho com as crianças e os adolescentes, para aproximar-se da realização dos sonhos de Korczak, mesmo que isso seja um passo apenas para um mundo no qual as crianças possam viver felizes.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Revista Veja X informação correta... é triste.

Transcrevo aqui a carta do prof. Lino de Macedo tratando sobre a matéria da Veja de 12 de maio com o título: Salto no Escuro.
Boa leitura e tire suas próprias conclusões.
Beto


São Paulo, 10 de maio de 2010.


Ao Senhor Diretor de Redação
VEJA
Caixa Postal 11079
CEP 05422-970
Fax: (11) 3037-5638
São Paulo, SP


Prezado Senhor


Como antigo assinante desta revista e estudioso do Construtivismo, segundo Piaget, venho lamentar a publicação, em 12 de maio, da matéria “Salto no escuro”, escrita pelo Senhor Marcelo Bortoloti. Três semanas atrás, esta mesma revista, já publicara matéria contra o Construtivismo, escrita pelo Senhor Cláudio Moura Castro.
O texto do Senhor Marcelo Bortoloti é superficial, tendencioso e mal orientado. É isto que a Veja entende por jornalismo científico? Como posso continuar assinando esta revista e sustentar minha confiança em suas matérias, sobretudo naquelas em que me sinto ignorante, se - a respeito do que venho estudando desde 1968 -, o que observo é algo totalmente sem respeito?
Indico abaixo os pontos de minha divergência como Senhor Botoloti:
1. Não há dogmas no construtivismo;
2. O construtivismo se caracteriza pela visão de enfrentamento (via realização ou compreensão) de problemas que requerem conclusão; se errada, o desafio é aprender com os erros:
3. Culpar os professores que se dizem construtivistas e não compreendem o que significa, para dai concluir que o construtivismo é responsável pelo fracasso da educação brasileira é simplificador e torpe, próprio de quem escreve sobre aquilo que não entende e, pior que isto, escreve com a motivação de confundir e “desconstruir”;
4. O quadro “A desconstrução do construtivismo”, em que este autor compara “pedagogia tradicional” X “construtivismo”, é de uma banalidade e falta de informação que causa dó e desrespeito em alguém minimamente informado sobre o assunto.
5. Meu pressuposto, pautado no excelente trabalho da Editora Abril, com a Revista Nova Escola e outros projetos educacionais, era que ela valorizava e somava forças com esta imensa tarefa de defender uma escola para todos, apesar das dificuldades deste projeto. Com a publicação deste artigo e do anterior percebo que a Veja é contra esta idéia, sendo favorável ao “melhor da escola tradicional”, com sua visão determinista, favorável à seleção dos mais aptos, o que exclui a maioria de nossa população de crianças e jovens. Que pena!
6. Culpabilizar, enfim, professores e gestores por suas dificuldades em aplicar idéias construtivistas, no Brasil, é injusto, superficial e tendencioso, pois não considera a complexidade de se aplicar princípios teóricos e epistemológicos à prática pedagógica; ignora, também, o muito que se tem feito e conseguido, apesar de tudo. Além disto, minimiza, vulgariza e desengana todos aqueles que, apesar da complexidade desta imensa tarefa, não desistem e aceitam o desafio de uma escola para todas as crianças e jovens.




Concluo informando que vou cancelar minha assinatura desta revista, porque perdi o respeito e a confiança que tinha por ela.
Atenciosamente


Lino de Macedo
Professor Titular do Instituto de Psicologia, USP.

E, se vc pensa que isso é novidade... veja isto:

Quero registrar a minha indignação frente à reportagem da Revista VEJA de 20/08/2008, especialmente no que diz respeito aos comentários sobre o Professor Paulo Freire.
As repórteres demonstram muito mais que desinformação; contraditoriamente, defendem a neutralidade da educação porém, evidenciam, nessa matéria, posições políticas em relação ao ensino, comprovando que a neutralidade da educação é um mito, como afirmou o professor Paulo Freire, há mais de três décadas.
É importante registrar que Paulo Freire é reconhecido, mundialmente , como um dos maiores educadores do século XX, por ser autor de uma pedagogia crítica a favor dos oprimidos. Toda a sua vida e obra são marcadas pela defesa da ética universal do ser humano. Escreve Freire, em Pedagogia da Autonomia (1996)... ler mais >>>



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DESESCOLARIZANDO A SOCIEDADE

Postado por Augusto de Franco - na Rede Românticos Conspiradores, Escola-de-Redes e na Rede Vivo Educação.

ILLICH, Ivan (1970): Deschooling society
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (PDF)
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (RTF)

Bem, prometi que continuaria este post. Agora seguem as razões da insistente divulgação do livro "Desescolarizando a sociedade" (assim deveria ter sido traduzido o título Deschooling Society) do nosso saudoso Ivan Illich. Ele foi o primeiro inspirador das considerações que seguem e merece ser relido, quase 40 anos depois, a luz do que ocorreu no mundo nesse período.
Sim, é urgente desescolarizar a sociedade, mas Illich, conquanto tenha tido essa visão supreendentemente antecipatória, vivia em uma época que não reunia as condições para tal mudança e nem possuia os instrumentos necessários para promovê-la.

Nas últimas décadas a educação se transformou em uma espécie de panacéia, um mito moderno que não aceita ser contestado. Não há platéia, seja qual for o lugar do mundo em que se reúna, que não balance afirmativamente a cabeça quando alguém lhe diz que a solução para todos os males que nos afligem - da insegurança urbana aos obtáculos ao desenvolvimento, das mazelas da democracia realmente existente às ameaças à vida humana em escala planetária - está na educação.

Mas esse mito moderno que, tal como a visão reducionista (ambientalista) da sustentabilidade, parece inspirar um novo tipo de religião laica, é perigosamente regressivo. Pois o que se entende por educação ainda se resume a colocar todos as crianças na escola e a melhorar a escola, sem ver que a escola, longe de ser solução, é parte do problema. E, mais do que isso, sem ver que ela é o problema.

Faço esses comentários preliminares para tentar explicar as razões pelas quais tem surgido com força ultimamente a idéia de promover a articulação de sistemas sócio-educativos, comunidades de aprendizagem, estruturadas em rede e livres dos mecanismos de obstrução, separação e exclusão que caracterizam as burocracias escolares.

A EMERGÊNCIA DOS SISTEMAS SÓCIO-EDUCATIVOS
Não é novidade para ninguém que, no mundo atual, qualquer pessoa que saiba ler e escrever e tenha acesso à Internet pode aprender muito mais do que podia há dez anos. Sim, isso é fato. Uma criança com noções rudimentares de um ou dois idiomas falados por grandes contingentes populacionais (como o inglês ou o espanhol, por exemplo), já é capaz de aprender muito mais – e com mais velocidade – do que um jovem com o dobro da sua idade que, há dez anos, estivesse matriculado em uma instituição de ensino altamente conceituada. Diz-se agora que, se souber ler (e interpretar o que leu), escrever, aplicar conhecimentos básicos de matemática na solução de problemas cotidianos e… banda larga, qualquer um vai sozinho.

A novidade é que isso não depende, nem apenas, nem principalmente, da tecnologia stricto sensu e sim de novos padrões de organização social que estão se configurando na contemporaneidade. Uma sociedade em rede está emergindo e, progressivamente, tornando obsoletos as instituições e os processos hierárquicos da velha sociedade de massa, inclusive as instituições e processos educacionais. Novas tecnologias de informação e comunicação – que permitem a interação horizontal ou entre pares (pessoa-com-pessoa) em tempo real – estão acelerando esse processo. Mas novas tecnologias sociais, tão ou mais importantes do que essas (chamadas TICs), também estão contribuindo para mudar radicalmente as condições de vida e convivência social neste dealbar do século 21.

Tudo isso vai mudar - e em parte já está mudando - a maneira como executamos as nossas atividades empresariais, governamentais e sociais. Vai mudar a maneira como nos organizamos para produzir e comercializar, governar e legislar e conviver com as outras pessoas na sociedade. E – como não poderia deixar de ser – isso também está mudando a forma como aprendemos.
O problema é que as instituições e os processos educativos que foram pensados para um tipo de sociedade que está deixando de existir (à medida que emerge uma nova sociedade cuja morfologia e dinâmica já são, em grande parte, as de uma rede distribuída) ainda remanescem e continuam aplicando seus velhos métodos. Em que pese o papel fundamental que cumpriram nos últimos séculos, essas instituições e processos já começam hoje a ser obstáculos à criatividade e à inovação.

O que tivemos, pelo menos nos dois últimos séculos, foi, em grande parte, uma educação massiva e repetitiva, voltada para enquadrar as pessoas em um tipo insustentável de sociedade (instalando nas suas mentes programas maliciosos, elaborados para implantar noções de ordem, hierarquia, disciplina e obediência) e para adestrar a força de trabalho, para que os indivíduos pudessem reproduzir habilidades requeridas pelos velhos processos produtivos e administrativos e executar rotinas determinadas.

Agora estamos, porém, vivendo a transição para outra época, para uma nova era da informação e do conhecimento, na qual as capacidades exigidas são outras também. Nesta nova sociedade do conhecimento, o que se requer é que as pessoas sejam capazes de criar e de inovar, mudando continuamente os processos de produção e de gestão para descobrir maneiras melhores de fazer e organizar as coisas. E isso elas só conseguirão na medida em que tiverem autonomia para aprender o que quiserem, da forma como quiserem e quando quiserem e para se relacionar produtivamente com outras pessoas de sua escolha, gerando cada vez mais conhecimento – o principal bem, conquanto intangível, deste novo mundo que já está se configurando.

Faz-se necessário, pois, libertar o processo educativo das amarras que tentam normatizá-lo de cima para baixo, em instituições organizadas igualmente de cima para baixo, hierarquizadas, burocratizadas e fechadas, desenhadas para guardar em caixinhas o suposto conhecimento a ser transferido, de uma maneira pré-determinada, para indivíduos que preencherem determinadas condições (e, não raro, à revelia do que eles próprios desejariam de fato aprender). Ora, já se viu que o conhecimento é uma relação social e não um objeto que possa ser estocado, transportado, transferido ou transfundido de um emissor para um receptor. O processo de geração e compartilhamento do conhecimento ocorre na sociedade e torna-se cada vez mais difícil, custoso e improdutivo quando tentamos parti-lo em pedaços para arquivá-lo nos escaninhos de uma organização separada da sociedade por paredes opacas e impermeáveis.

O que de tão importante se descobriu nos últimos anos é que, em última instância, quem é educadora é a sociedade, a cidade, a localidade onde as pessoas vivem e se relacionam. Na verdade, foi uma redescoberta democrática: Péricles, no século 5 a. E. C., já havia percebido este papel educador da polis enquanto comunidade política, quando declarou – segundo Tucídides – na oração fúnebre proferida no final do primeiro ano da guerra do Peloponeso, “que a cidade inteira é a escola da Grécia e creio que qualquer ateniense pode formar uma personalidade completa nos mais distintos aspectos, dotada da maior flexibilidade e, ao mesmo tempo, de encanto pessoal”.

Portanto, sistemas educativos deveriam ser, sempre, sistemas sócio-educativos configurados em localidades, em sócio-territorialidades, quer dizer, em redes sociais que se conformam como comunidades compartilhando agendas de aprendizagem.

Foi com base nessas considerações que surgiu a idéia de induzir a formação de comunidades de aprendizagem – estruturadas em rede – que receberam, então, por analogia com os Arranjos Produtivos Locais (APL), o nome de Arranjos Educativos Locais (AEL). A analogia tem um fundamento. Assim como os APL pretendem aproveitar o capital social de uma localidade como alavanca para induzir a formação do capital econômico, os AEL tentam fazer a mesma coisa para induzir a formação do capital humano.

OS ARRANJOS EDUCATIVOS LOCAIS (AEL) COMO EXEMPLO DE SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Arranjos Educativos Locais são uma forma de sistema sócio-educativo. São pessoas que se conectam em rede, em uma localidade, para aprender juntas.
São locais, mas entendendo-se local como cluster, como sócio-territorialidade: pessoas conectadas com uma certa configuração – ou arranjadas de determinada maneira – criando um ambiente capaz de favorecer o processo educativo.
Esse ambiente não é conformado pelas instituições hierárquicas já estabelecidas na localidade e nem pelos recursos materiais disponíveis (salas, prédios e outros equipamentos) e sim pela rede social composta por pessoas interagindo. Quanto mais distribuída e conectada for essa rede, mais o ambiente será favorável ao aprendizado individual e coletivo.
Os AEL estão baseados na idéia de que, para aprender, uma pessoa deve aprender a buscar com autonomia o que lhe interessa da sua própria maneira (tornando-se um buscador) e aprender a compartilhar o que buscou com outras pessoas gerando conhecimento a partir dessa interação (tornando-se um polinizador).

Os AEL não são sistemas educativos (como as escolas) e sim sistemas sócio-educativos. Eles envolvem sempre, necessariamente, uma parcela da sociedade local onde se situam e estão voltados para o desenvolvimento humano e social sustentável (das pessoas e das comunidades) dessa localidade.

Qualquer pessoa que tomar a decisão de catalisar um processo educativo será capaz de fazê-lo em relação àqueles temas com que tenha alguma intimidade. Desde que queira fazer isso. Desde que goste de compartilhar.

Começando pelo mais básico: quem aprendeu a ler, escrever e contar – mesmo que só um pouquinho – pode ajudar outras pessoas a aprenderem isso também; e o melhor é que, assim procedendo, pode aprender ainda mais.

Um jovem que adquiriu habilidades de navegar e publicar na Internet pode ajudar outras pessoas a também adquirir, pelo menos, parte dessas habilidades. Uma pessoa idosa que desenvolveu, ao longo de anos e anos de experimentação, suas próprias práticas de permacultura, pode refazer seu itinerário de aprendizagem com outras pessoas, jovens ou adultas. Fazendo isso não só terá oportunidade de compartilhar o que sabe, mas também de reaprender o que já esqueceu que sabe. E criará conhecimento novo sobre o assunto.
Esta é a essência do AEL.

QUALQUER PESSOA PODE ARTICULAR UM SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Sim, qualquer pessoa ou grupo de pessoas pode tomar a iniciativa de articular e animar um sistema sócio-educativo, como, por exemplo, um AEL. Desde não caia em qualquer uma (ou várias) das sete tentações seguintes:
1 – Reeditar, sob qualquer forma ou a qualquer pretexto, a relação professor-aluno.
2 – Definir currículos top down.
3 – Separar os grupos (comunidades de aprendizagem) por idade, escolaridade ou por qualquer outro critério que não seja o interesse.
4 – Tratar o conhecimento como objeto (que possa ser transferido segundo o padrão emissor-receptor) e não como relação (o conhecimento se reinventa toda vez que uma interação entre sujeitos do processo educativo se realiza).
5– Estabelecer um padrão de ensino no lugar de aprendizagem: os AEL não dão cursos, nem têm classes ou turmas, mas somente comunidades de aprendizagem, clusters conformados a partir de agendas compartilhadas de aprendizagem.
6 – Focalizar o trabalho na melhoria da escola, tentar complementá-la ou suplementá-la, ou montar uma escola ou para-escola dita “alternativa” ou “nova”.
7 – Estabelecer uma hierarquia, mesmo que meritocrática, encarando os agentes comunitários de educação (stricto sensu, os catalisadores, facilitadores ou mediadores do processo de aprendizagem) como superiores, em algum sentido, aos demais agentes comunitários de educação (lato sensu, as pessoas que interagem nas comunidades – em rede – de aprendizagem): no AEL todos são aprendentes.
Conseguir não-fazer essas coisas já seria suficiente. Mas isso, infelizmente, é bem mais difícil do que parece. Na frente de um grupo qualquer de pessoas desejosas de aprender alguma coisa, somos tomados - se avaliamos que sabemos mais do que elas sobre algum assunto - por uma irrefreável compulsão de ensinar, de se comportar como professor, como um sujeito acima que vai então transfundir o seu conhecimento para os que estão abaixo. Na verdade, isso parece ser uma pulsão mesmo, um vaga inconsciente que vem lá daquelas profundezas escuras onde foram e permanecem implantadas as matrizes das separações - entre fortes e fracos, ricos e pobres, sábios e ignorantes, enfim, entre superiores e inferiores - que geraram esse tipo de civilização em que vivemos.

terça-feira, 26 de maio de 2009

ARRANJOS EDUCATIVOS LOCAIS: UM SONHO QUE COMEÇA A SE TORNAR REALIDADE

Texto de Augusto Franco
Há muito venho sonhando com isso. Agora parece que a coisa vai.

A partir dessa visão básica (abaixo), que foi modificada após várias discussões, o SESI-PR elaborou um novo programa que começará a ser aplicado, em fase piloto, em duas localidades do Paraná, ainda no primeiro semestre de 2009.

Os AEL – Arranjos Educativos Locais – são clusters de aprendizagem. São, na verdade, aglomerados locais de pessoas e organizações (presentes sempre por meio de pessoas) que se formam criando ambientes favoráveis às interações educativas.

Os AEL não são apenas sistemas educativos – como as escolas e outros aparatos burocráticos, hierárquicos, voltados ao ensino – e sim sistemas sócio-educativos. Isso significa, em primeiro lugar, que eles não são “arranjos de ensino locais” (como também caberia na sigla AEL). Mas isso também significa, em segundo lugar, que eles pretendem aproveitar o capital social existente em uma dada localidade para impulsionar ou alavancar o desenvolvimento do capital humano.

Os AEL são uma forma de communityschooling, porém na linha do unschooling; quer dizer, de educação comunitária viabilizada por meio da conformação de comunidades de aprendizagem (e não de “ensinagem”, para usar a boa e vingativa expressão do educador José Pacheco). Ou seja, os AEL não pretendem substituir o sistema escolar, complementá-lo ou suplementá-lo (tapando os buracos eventualmente deixados pela escola), embora possam trabalhar em sinergia com os agentes escolares.

Por último, os AEL são para todos os que quiserem participar de comunidades de aprendizagem e não apenas para as crianças, ou para os jovens e, muito menos, somente para os pobres. Faz sentido, entretanto, que, diante das deficiências do quadro educacional brasileiro, haja uma priorização na faixa etária correspondente ao ensino fundamental básico.

Um AEL é composto por agentes comunitários de educação, lato sensu. Todas as pessoas que participam de um Arranjo Educativo Local, individualmente ou representando uma organização social, empresarial ou governamental, são – no sentido mais geral da expressão – agentes comunitários de educação, inclusive os assim chamados “alunos”.

Nos AEL não há a figura do professor e do aluno, que são próprias dos sistemas burocráticos (e hierárquicos) de ensino. Em um AEL todos são sujeitos da aprendizagem.

Em um sentido estrito, porém, podem ser chamados de Agentes Comunitários de Educação (ACE) os catalisadores de processos de aprendizagem, especialmente preparados e voltados (motivados e capacitados) para essa função. Tais agentes (os ACE stricto sensu) são necessários para desencadear o processo de formação dos AEL.

Podem participar da organização dos AEL quaisquer pessoas interessadas nos seus objetivos, independentemente de escolaridade ou de posição institucional. Mas para que o arranjo se conforme e se sustente no início é necessário atrair participantes da área governamental, empresarial e social que também sejam apoiadores da iniciativa.

São dois os objetivos fundamentais dos AEL: aprender a aprender a aprender a conviver (com o meio natural e com o meio social).

Aprender a aprender é a condição fundamental geral para a livre aprendizagem humana em uma sociedade inteligente. Esse objetivo poderia ser formulado assim: ensejar oportunidades aos educandos de “andar com as próprias pernas”, transformando-se em buscadores cada vez mais autônomos e polinizadores-mútuos (ou construtores coletivos de conhecimentos) cada vez mais interdependentes (do auto-didatismo para o comum-didatismo; e do lema “eu busco o conhecimento que me interessa do meu próprio jeito”, para o lema “eu guardo o meu conhecimento nos meus amigos” e para o lema “nós produzimos nosso conhecimento comunitariamente”).

Aprender a conviver com o meio natural e com o meio social é a condição fundamental para a sustentabilidade – ou para o desenvolvimento humano e social sustentável – (da localidade onde se instala o AEL).

Os AEL são espaços de compartilhamentos de agendas de aprendizagem compatíveis com seus objetivos (‘aprender a aprender’ e ‘aprender a conviver’).

Um AEL não é uma outra – velha ou nova – escola, nem uma espécie de “para-escola”. Em um AEL não há, portanto, propriamente falando, um currículo e sim agendas de aprendizagem que são construídas coletivamente.

Dessas agendas deverão constar aqueles conhecimentos ou habilidades necessárias para a realização dos dois grandes objetivos dos AEL.

Sugerem-se sete drives de aprendizagem (que também podem ser chamados de “Sete Alfabetizações”). Sobre todos ou alguns desses drives – “alfabetizações” – cada AEL construirá sua própria agenda.

1) a alfabetização propriamente dita, na língua natal (ler e escrever e interpretar o que leu: no caso, em português);

2) em uma segunda língua da globalização (pelo menos ler, em inglês ou espanhol);

3) matemática (dominar as operações matemáticas elementares e aplicar esses conhecimentos básicos na vida cotidiana);

4) lógica (aprender a argumentar e identificar erros lógicos em argumentos simples);

5) digital (navegar e publicar na Internet e operar as ferramentas digitais de inserção, articulação e animação de redes virtuais e blogosferas);

6) em sustentabilidade (incluindo alfabetização ecológica e alfabetização para o empreendedorismo – a pedagogia empreendedora – e para o desenvolvimento humano e social sustentável local ou comunitário); e

7) democrática (para a vida comunitária e para as formas de relacionamento que ensejam a regulação social emergente; i. e., as redes sociais distribuídas).

Os AEL não dão cursos. O aprendizado acontece no compartilhamento de agendas em torno desses e outros temas, em um processo catalisado pelos Agentes Comunitários de Educação. Isso significa que se formarão grupos para fazer coisas juntas (‘aprender-fazendo’), onde todos aprendem, inclusive os ACE, os professores eventualmente participantes e os representantes dos apoiadores institucionais (que ainda que possam ter títulos acadêmicos de graduação, mestrado ou doutorado, são – via de regra – analfabetos democráticos ou em sustentabilidade e, muitas vezes, analfabetos digitais, quando não em lógica, para dizer o mínimo).

Os métodos (pedagógicos) – sempre no plural – que serão utilizados na catalisação de cada agenda serão definidos a partir de um referencial conceitual que parte do conectivismo como teoria da aprendizagem e combina métodos de auto-didatismo (incluindo alguns processos já consagrados no homeschooling) com métodos de comum-didatismo (communityschooling). Para cada drive – e respectiva agenda de aprendizagem – já existem processos específicos desenvolvidos e trata-se de adaptá-los (como, por exemplo, a chamada “pedagogia empreendedora”, no caso do empreendedorismo) sem, porém, criar qualquer tipo de ortodoxia.

Baseados no conectivismo como nova teoria da aprendizagem, os AEL se organizam como redes distribuídas de pessoas, ou seja, como redes sociais, articuladas e animadas presencialmente e à distância.

Essas redes devem ter o grau máximo de distribuição e conectividade (todos-com-todos) de sorte a ensejar a geração de verdadeiras comunidades (de aprendizagem). Delas participam os agentes (stricto sensu, os AEC – Agentes Comunitários de Educação), os participantes (educandos), as pessoas que representam os parceiros institucionais e outros stakeholders sociais da iniciativa.

Não há nem deve haver, portanto, estrutura hierárquica (à semelhança das burocracias escolares e acadêmicas) nos AEL.

Em geral um mesmo AEL pode se dedicar a várias agendas de aprendizagem e, portanto, pode contar com vários grupos. Mais de um espaço físico pode ser utilizado dentro da localidade. Além disso, várias atividades das agendas de aprendizagem podem ser realizadas nas ruas, praças, margens ou cabeceiras de rios, lagos ou outras áreas públicas ou privadas. O tempo de ocupação dos espaços físicos prediais deverá ser administrado de acordo com as agendas de aprendizagem e o número de grupos envolvidos.

Além disso, é necessário ter uma equipe de Agentes Comunitários de Educação capazes de catalisar processos de aprendizagem em, pelo menos, alguns dos drives que darão origem as agendas que serão compartilhadas. Um processo de recrutamento, seleção e capacitação desses agentes é, portanto, condição para iniciar o trabalho.

Os ACE, dependendo da sua dedicação, podem até ser remunerados, mas é essencial que trabalhem no espírito do voluntariado (e sem horário fixo de trabalho). Cabe a eles também visitar regularmente as pessoas da localidade, de preferência de casa em casa (tal como fazem os Agentes Comunitários de Saúde) no início para explicar o projeto e, depois, para relatar os avanços obtidos e as dificuldades encontradas, mantendo as pessoas informadas.

Cabe ainda aos ACE fazer o netweaving da rede virtual que se organizará em cada AEL, administrando a plataforma interativa utilizada.

Dessa rede virtual farão parte não apenas as pessoas que participam presencialmente do AEL, mas também as que estiverem interessadas em acompanhar a experiência. Essa ligação com a sociedade são as raízes sociais do programa, o seu lastro de capilaridade social. É por meio desses “dutos” que o capital social da localidade será “importado” como um recurso capaz de fazer a diferença. Estima-se que pelo menos 1% das pessoas da localidade (bairro, distrito, município – no caso de municípios pequenos – ou outra unidade de vizinhança) deverão estar conectadas no AEL. Isso, de certa maneira, delimita o tamanho populacional da localidade escolhida para a implantação do AEL (o ideal é uma rede de até 150 membros – onde é possível realizar o ‘todos-com-todos’ –, o que significa uma localidade com no máximo 15.000 pessoas; mas é possível trabalhar com localidades um pouco maiores, não muito). Neste 1% devem estar os que cumprem papéis de destaque na sociedade do ponto de vista da rede social (como os hubs, os inovadores e os netweavers).

Postei este resumo inicialmente na Rede Vivo Educação, onde foi criado um novo grupo chamado Sistemas Sócio-Educativos que está tentando definir o seu escopo.

http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/arranjos-educativos-locais-um

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http://jfjug.dev.java.net
http://tukanu.dev.java.net

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." (Cecília Meireles)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Gaia Education - Design em Sustentabilidade

http://gaia2009.blogspot.com/

É um curso de âmbito mundial, é dado simultaneamente em todos os continentes e diz respeito à técnicas de sustentabilidade em vários níveis e setores.Conteúdo:O currículo está organizado como uma mandala que aborda quatro dimensões intrínsecas da experiência humana: Dimensão Social; Dimensão Ecológica; Dimensão Econômica; Dimensão Visão de Mundo.

Dimensão Social
·Construindo Comunidade, Abraçando Diversidade;
· Ferramentas de Comunicação, Resolução de Conflitos, Facilitação e Tomada de Decisão
· Liderança Circular num Mundo de Imprevisibilidade e Complexidade;
· Celebração da Vida e Arte;
· Vizinhança Sustentável, Biorregionalismo e Globalização.

Dimensão Ecológica
. Desenho Integrado;
· Bioconstrução e Restauração Ecológica;
· Produção Local de Alimentos;· Tecnologias Apropriadas e Responsáveis;
· Restauração e Conservação da Natureza.Dimensão Econômica· Transformar a Economia Global em Economia Social;
· Sustento Justo;
· Investimentos Socialmente Responsáveis;
· Bancos Éticos e Moedas Comunitárias;
· Captação de Recursos, Questões Legais e Financeiras.

Dimensão Visão de Mundo
· Visão Holística Integrada;
· Escuta e reconexão com a Natureza;
· Despertar e Transformação da Consciência;
· Saúde Integral;· Espiritualidade Socialmente Engajada.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3tese_de_Gaia

A Hipótese de Gaia, também denominada como Teoria de Gaia, é uma tese que sustenta ser o planeta Terra um ser vivo. A hipótese foi apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, afirmando que a biosfera do planeta é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio-ambiente. Para chegar a essas conclusões, o cientista britânico, juntamente com a bióloga estadunidense Lynn Margulis analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem.

O nome Gaia é uma homenagem à deusa grega Gaia, da Terra. Vista com descrédito pela comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia encontra simpatizantes entre grupos ecológicos, místicos e alguns pesquisadores. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas. - Gaia, Géia ou Gê era a deusa da Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora quase absurda. Segundo Hesíodo, ela é a segunda divindade primordial, nascendo após Caos. Tal como Caos, Gaia parece possuir uma natureza forte, pois gera sozinha, Urano, Pontos e as Montanhas. Hesíodo sugere que ela tenha gerado Urano com o desejo de se unir a alguém semelhante a si mesma em natureza. Isso porque Gaia personifica a base onde se sustentam todas as coisas, e Urano é então o abrigo dos deuses "bem-aventurados".

- Pacha Mama, do quíchua Pacha ("universo, mundo, tempo, lugar") e de Mama ("mãe"): "Mãe terra" , é a deidade máxima dos Andes peruanos, bolivianos, do noroeste argentino e do extremo norte do Chile. Pacha Mama é uma Deusa, que produz, que engendra. Sua morada está no Carro Branco (Nevado de Cachi), e se conta que no cume há um lago que rodeia uma ilha. Esta ilha é habitada por um touro de chifres dourados que ao mugir emite pela boca núvens de tormenta. O mito de Pacha Mama referia-se primitivamente ao tempo, talvez vinculada de alguma forma com a terra: o tempo que cura as dores, o tempo que distribui as estações, fecunda a terra. Pacha significa tempo em linguagem kolla, porém com o transcurso dos anos, as alterações da língua, e o predomínio de outras raças, terminou confundindo-se com a terra. Dia primero de agosto é o dia de Pacha Mama. Nesse dia se enterra em um lugar próximo da casa uma panela de barro com comida cozida. Também se põe coca, yicta, álcool, vinho, cigarros e chicha para alimentar Pacha Mama. Nesse mesmo dia deve-se pôr cordões de fio branco e preto, confeccionados com lã de lhama enrolando-se à esquerda. Estes cordões se atam nos tornozelos, nos pulsos e no pescoço, para evitar o castigo de Pacha Mama.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sequência Fibonacci




Leonardo Pisano ou Leonardo de Pisa (11701250) - também conhecido como Fibonacci após a sua morte - foi um matemático italiano, dito como o primeiro grande matemático europeu depois da decadência helênica. É considerado por alguns como o mais talentoso matemático da Idade Média. Ficou conhecido pela descoberta da sequência de Fibonacci e pelo seu papel na introdução dos algarismos árabes na Europa


Na prática: você começa com 0 e 1, e então produz o próximo número de Fibonacci somando os dois anteriores para formar o próximo. Os primeiros Números de Fibonacci (sequência A000045 na OEIS) para n = 0, 1,... são
0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377, 610, 987, 1597, 2584, 4181, 6765, 10946...
Esta seqüência foi descrita primeiramente por Leonardo de Pisa, também conhecido como Fibonacci (Dc. 1200), para descrever o crescimento de uma população de coelhos. Os números descrevem o número de casais em uma população de coelhos depois de n meses se for suposto que:
- no primeiro mês nasce apenas um casal,
- casais amadurecem sexualmente (e reproduzem-se) apenas após o segundo mês de vida,
- não há problemas genéticos no cruzamento consangüíneo,
- todos os meses, cada casal fértil dá a luz a um novo casal, e
- os coelhos nunca morrem.


Na espiral formada pela folha de uma bromélia, pode ser percebida a sequência de Fibonacci, através da composição de quadrados com arestas de medidas proporcionais aos elementos da sequência, por exemplo: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13... , tendentes à razão áurea. Este mesmo tipo de espiral também pode ser percebida na concha do Nautilus marinho.




terça-feira, 10 de março de 2009

Não se deixe enganar*


Enquanto você imagina estar protegendo a Natureza, em verdade pode estar apenas aumentando o lucro das grandes corporações

Por Ariane de Assis Jordão
ariane@universoespirita.com.br

A emissão de gás carbônico na atmosfera do nosso planeta é o problema ambiental mais sério que enfrentamos no presente. As previsões para o clima e, especialmente, para a vida humana, num futuro não muito distante, dizem que, a menos que consigamos diminuir a emissão de gases de “efeito estufa” em pelo menos 50%, o aquecimento global provocará efeitos extremamente danosos. Estamos diante de uma catástrofe anunciada. O derretimento de calotas polares e geleiras irá elevar o nível das águas dos oceanos, fazendo desaparecer ilhas e faixas litorâneas densamente povoadas. O superaquecimento das regiões tropicais e subtropicais intensificará o processo de desertificação. A destruição dos habitats de espécies vegetais e animais fará com que elas desapareçam. As mudanças de temperatura irão multiplicar as secas, enchentes e furacões. E a previsão é de fome para metade da Humanidade.
Como se vê, é um problema que só se resolve encontrando novas formas de produção de energia e de bens, alternativas para o uso dos veículos movidos com derivados de petróleo e, gradativamente, substituindo a gasolina e o diesel por outros combustíveis. Enfim: diminuindo a emissão de gases.
No entanto, alguns artifícios de marketing são utilizados pelas indústrias para adiar o que é urgente. Um deles virou instrumento de publicidade de uma rede de postos de combustível, que anuncia: “abasteça e neutralize o carbono emitido pelo seu carro”. A idéia consiste num cartão de crédito que é usado para pagar abastecimento em postos credenciados e, segundo informam, parte do valor pago é investido em programas de neutralização de carbono como, por exemplo, em plantio de árvores.
A campanha recebeu validação de uma empresa de auditoria e certificação de produtos, a qual garante haver sido desenvolvida “uma metodologia que lhe dá o embasamento teórico e estabelece as equações necessárias para chegar às estimativas de emissões de gás carbônico a partir do uso do cartão nos postos”. Isto não está em discussão.
Contudo, relatório publicado na revista científica Nature diz que algumas crenças sobre as árvores e o seu papel na absorção de carbono podem estar erradas. Ele afirma que jovens florestas que acumulem materiais orgânicos em decomposição podem emitir mais CO2 que são capazes de absorver.
Além disso, “neutralizar” significa “anular, eliminar”. Não aparece no dicionário como sinônimo de “compensar”. Isto resume um dos aspectos falaciosos da campanha: fazer você pensar que pode eliminar um problema quando está simplesmente fazendo uma compensação, compensação essa condicionada ao fato das árvores prometidas serem efetivamente plantadas e dos estudos científicos estarem errados.
O maior engano, porém, está em achar que se resolve o problema do aquecimento global pagando para alguém plantar árvores enquanto se continua poluindo o meio ambiente.
Há muito tempo em nossa sociedade têm sido propostas soluções com respeito à Natureza que não envolvem verdadeira conscientização e mudança de atitude, mas apenas a crença de que investimentos e tecnologia darão conta dos estragos que temos feito em nosso planeta. A realidade é que, ou paramos de jogar lixo em nossa casa, ou vamos morrer atolados e sufocados por ele. Enquanto nos enganarmos por soluções falsas ou paliativas, estaremos agravando o problema e diminuindo nossas chances de resolvê-lo.
Precisamos reconhecer nossa responsabilidade moral diante dos seres viventes na Terra e de nós mesmos, e operar transformações profundas em nossa forma de viver, em vez de continuar fazendo o mesmo que sempre fizemos e dando dinheiro para alguém que pode deixar nossas consciências menos pesadas, enquanto contabiliza seus lucros.

Para saber mais:
- Aquecimento Global Brasil, vídeo.
- Plantar uma Árvore é Ótimo, artigo disponível no Portal Aprendiz.

ARIANE DE ASSIS JORDÃO é educadora e pesquisadora espírita.
_____
Este artigo foi publicado na Revista Universo Espírita, Edição 62

segunda-feira, 9 de março de 2009

Flores? Gansos?


Onde: Connecticut/EUA
Foto: Rita Foelker.

Olhe bem! Algum projetista da Natureza andou aprontando com seus olhos... Estas flores se parecem com vários gansos olhando em direção a algum ruído.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Freecycle


A idéia é simples, a internet serve como um canal para que as pessoas possam Reutilizar aquilo que outra pessoa não quer mais...
Freecycle não significa dar apenas para os pobres.
Não significa obter o maior número de coisas grátis possível.
Não significa obter coisas para ganhar dinheiro “por fora”.
Não significa se livrar de lixo que estaria melhor em aterros sanitários.
Não significa postar uma "lista de desejos" de itens caros esperando que uma fada madrinha venha atendê-los.
Não significa uma lista de discussão da comunidade para encontrar aluguéis, dentistas, mecânicos, empresas ou eventos especiais.

O que é Freecycle significa:

Freecycle significa manter coisas úteis fora dos depósitos de lixo.
Significa doar algo que não tem mais uso em nossa vida a alguém que poderia prolongar um pouco mais a sua utilidade.
Significa dar presentes às pessoas, ao mesmo tempo em que limparmos nossa própria bagunça.
Significa criar, construir, e sustentar uma comunidade ecologicamente consciente.

Oferecer itens dos quais já não precisamos mais àqueles que precisam deles.

Quando postamos uma OFERTA, estamos nos oferecendo a dar um presente a alguém. Depende de nós dar este presente a quem nós consideramos que seria o melhor destinatário. Nós não somos obrigados a dar o presente para alguém que é rico, pobre, solteiro, casado, não tem filhos, tem um filho, tem 15 filhos, tem um carro, não tem um carro, ou tem um polvo roxo chamado George vivendo em seu quintal.

Podemos escolher o mais cortês, o mais mal-educado, o mais engraçado, ou a resposta mais curta para receber nosso presente. Nós podemos colocar os seus nomes em um chapéu e fazer um sorteio, ou podemos acenar nossos dedos mágicos diante do monitor e escolher um nome desse jeito. Podemos escolher o primeiro, 3º ou o 53º a responder. Podemos esperar 24 horas e então decidir. Depende de nós.

Deixando que as outras pessoas saibam do que precisamos

Quando nós postamos uma mensagem de PROCURO, ou respondemos a uma oferta, estamos solicitando um presente. È bem provável que ninguém na lista poderá nos dar aquilo que procuramos. Mas, às vezes, alguém vai ver um PROCURO para uma bola de boliche e pensar: "AHA! Eu tenho uma no meu armário!"

Mas, quer saber? Só porque somos ricos, pobres, solteiros, casados, não temos filhos, temos um filho, temos 15 filhos, temos um carro, não temos um carro, ou temos um polvo roxo chamado George vivendo em nosso quintal, não quer dizer que somos mais dignos de receber um presente de um colega membro do Freecycle ou que a maioria das pessoas que vivem por aí.

Enviar e-mails que não dizem "por favor" ou "muito obrigado" é uma forma de não receber um item. Enviar e-mails com comentários desagradáveis é uma forma de criar dificuldade.

Como participar no FREECYCLE

Quando você quiser encontrar um novo lar para algo - quer seja uma cadeira, um aparelho de fax, piano, ou uma porta velha - basta você enviar um e-mail oferecendo-o para os membros de seu grupo Freecycle.

Ou talvez você esteja procurando por algo. Neste caso, basta responder a uma oferta de um membro, e você provavelmente irá obter o que procura. Depois disso, cabe ao doador decidir quem recebe o presente e combinar a coleta para passar o item adiante. Você pode até mesmo postar uma mensagem de PROCURO para o grupo, porque pode ser que alguém tenha exatamente aquilo que você realmente precisa guardado em um armário.

Uma regra principal: Tudo postado deve ser grátis, legal e adequado a todas as idades.

Você está construindo uma comunidade com sua participação

Nós fazemos parte de uma comunidade. Em cada comunidade, há pessoas que não se entendem. E, na maioria das comunidades, quando duas pessoas que não conseguem se entender, eles simplesmente evitam-se mutuamente. Para fazer isso no Freecycle, tudo que você precisa fazer é criar um filtro para enviar qualquer e-mail de alguém de quem você não queira ouvir a diretamente para o lixo. Se você precisa de ajuda com isso, deixe que os moderadores saibam e eles podem ajudá-lo.

Portanto, lembre-se: Se você está oferecendo um presente, cabe a você decidir quem irá recebê-lo.

E se você estiver solicitando um presente...bem, seja paciente. Sua vez chegará, eventualmente, mas se você não for cuidadoso, seu nome pode acabar em uma lista do tipo "não vou doar pra essa pessoa". Você pode tentar fazer uma OFERTA para a lista, apenas pra ver como funciona a coisa. Procure em seu armário, ou naquela caixa que você não abre desde que se mudou há dois anos. Material de primeira para Freecycle!

Acima de tudo - continue mantendo "coisas" fora do depósito de lixo!
Participe!
www.freecycle.org Procure no site a sua Cidade... o movimento já está no Brasil.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aprendizado na prática


O q dizer de uma foto dessas?
Tava lá passando na Praça da Sé, em São Paulo com uma amiga qdo nos deparamos com a cena, na escada da Igreja da Sé. Impossível não ficar sem fala e por pouco não perdemos a ação da foto pela observação da cena. Paramos em frente a eles mas, era como se estivessem em casa ou em qualquer lugar, de tão a vontade que estavam, nem repararam q a gente flagrou eles.