quarta-feira, 19 de maio de 2010
Revista Veja X informação correta... é triste.
Boa leitura e tire suas próprias conclusões.
Beto
São Paulo, 10 de maio de 2010.
Ao Senhor Diretor de Redação
VEJA
Caixa Postal 11079
CEP 05422-970
Fax: (11) 3037-5638
São Paulo, SP
Prezado Senhor
Como antigo assinante desta revista e estudioso do Construtivismo, segundo Piaget, venho lamentar a publicação, em 12 de maio, da matéria “Salto no escuro”, escrita pelo Senhor Marcelo Bortoloti. Três semanas atrás, esta mesma revista, já publicara matéria contra o Construtivismo, escrita pelo Senhor Cláudio Moura Castro.
O texto do Senhor Marcelo Bortoloti é superficial, tendencioso e mal orientado. É isto que a Veja entende por jornalismo científico? Como posso continuar assinando esta revista e sustentar minha confiança em suas matérias, sobretudo naquelas em que me sinto ignorante, se - a respeito do que venho estudando desde 1968 -, o que observo é algo totalmente sem respeito?
Indico abaixo os pontos de minha divergência como Senhor Botoloti:
1. Não há dogmas no construtivismo;
2. O construtivismo se caracteriza pela visão de enfrentamento (via realização ou compreensão) de problemas que requerem conclusão; se errada, o desafio é aprender com os erros:
3. Culpar os professores que se dizem construtivistas e não compreendem o que significa, para dai concluir que o construtivismo é responsável pelo fracasso da educação brasileira é simplificador e torpe, próprio de quem escreve sobre aquilo que não entende e, pior que isto, escreve com a motivação de confundir e “desconstruir”;
4. O quadro “A desconstrução do construtivismo”, em que este autor compara “pedagogia tradicional” X “construtivismo”, é de uma banalidade e falta de informação que causa dó e desrespeito em alguém minimamente informado sobre o assunto.
5. Meu pressuposto, pautado no excelente trabalho da Editora Abril, com a Revista Nova Escola e outros projetos educacionais, era que ela valorizava e somava forças com esta imensa tarefa de defender uma escola para todos, apesar das dificuldades deste projeto. Com a publicação deste artigo e do anterior percebo que a Veja é contra esta idéia, sendo favorável ao “melhor da escola tradicional”, com sua visão determinista, favorável à seleção dos mais aptos, o que exclui a maioria de nossa população de crianças e jovens. Que pena!
6. Culpabilizar, enfim, professores e gestores por suas dificuldades em aplicar idéias construtivistas, no Brasil, é injusto, superficial e tendencioso, pois não considera a complexidade de se aplicar princípios teóricos e epistemológicos à prática pedagógica; ignora, também, o muito que se tem feito e conseguido, apesar de tudo. Além disto, minimiza, vulgariza e desengana todos aqueles que, apesar da complexidade desta imensa tarefa, não desistem e aceitam o desafio de uma escola para todas as crianças e jovens.
Concluo informando que vou cancelar minha assinatura desta revista, porque perdi o respeito e a confiança que tinha por ela.
Atenciosamente
Lino de Macedo
Professor Titular do Instituto de Psicologia, USP.
E, se vc pensa que isso é novidade... veja isto:
Quero registrar a minha indignação frente à reportagem da Revista VEJA de 20/08/2008, especialmente no que diz respeito aos comentários sobre o Professor Paulo Freire.
As repórteres demonstram muito mais que desinformação; contraditoriamente, defendem a neutralidade da educação porém, evidenciam, nessa matéria, posições políticas em relação ao ensino, comprovando que a neutralidade da educação é um mito, como afirmou o professor Paulo Freire, há mais de três décadas.
É importante registrar que Paulo Freire é reconhecido, mundialmente , como um dos maiores educadores do século XX, por ser autor de uma pedagogia crítica a favor dos oprimidos. Toda a sua vida e obra são marcadas pela defesa da ética universal do ser humano. Escreve Freire, em Pedagogia da Autonomia (1996)... ler mais >>>
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
DESESCOLARIZANDO A SOCIEDADE
ILLICH, Ivan (1970): Deschooling society
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (PDF)
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (RTF)
Bem, prometi que continuaria este post. Agora seguem as razões da insistente divulgação do livro "Desescolarizando a sociedade" (assim deveria ter sido traduzido o título Deschooling Society) do nosso saudoso Ivan Illich. Ele foi o primeiro inspirador das considerações que seguem e merece ser relido, quase 40 anos depois, a luz do que ocorreu no mundo nesse período.
Sim, é urgente desescolarizar a sociedade, mas Illich, conquanto tenha tido essa visão supreendentemente antecipatória, vivia em uma época que não reunia as condições para tal mudança e nem possuia os instrumentos necessários para promovê-la.
Nas últimas décadas a educação se transformou em uma espécie de panacéia, um mito moderno que não aceita ser contestado. Não há platéia, seja qual for o lugar do mundo em que se reúna, que não balance afirmativamente a cabeça quando alguém lhe diz que a solução para todos os males que nos afligem - da insegurança urbana aos obtáculos ao desenvolvimento, das mazelas da democracia realmente existente às ameaças à vida humana em escala planetária - está na educação.
Mas esse mito moderno que, tal como a visão reducionista (ambientalista) da sustentabilidade, parece inspirar um novo tipo de religião laica, é perigosamente regressivo. Pois o que se entende por educação ainda se resume a colocar todos as crianças na escola e a melhorar a escola, sem ver que a escola, longe de ser solução, é parte do problema. E, mais do que isso, sem ver que ela é o problema.
Faço esses comentários preliminares para tentar explicar as razões pelas quais tem surgido com força ultimamente a idéia de promover a articulação de sistemas sócio-educativos, comunidades de aprendizagem, estruturadas em rede e livres dos mecanismos de obstrução, separação e exclusão que caracterizam as burocracias escolares.
A EMERGÊNCIA DOS SISTEMAS SÓCIO-EDUCATIVOS
Não é novidade para ninguém que, no mundo atual, qualquer pessoa que saiba ler e escrever e tenha acesso à Internet pode aprender muito mais do que podia há dez anos. Sim, isso é fato. Uma criança com noções rudimentares de um ou dois idiomas falados por grandes contingentes populacionais (como o inglês ou o espanhol, por exemplo), já é capaz de aprender muito mais – e com mais velocidade – do que um jovem com o dobro da sua idade que, há dez anos, estivesse matriculado em uma instituição de ensino altamente conceituada. Diz-se agora que, se souber ler (e interpretar o que leu), escrever, aplicar conhecimentos básicos de matemática na solução de problemas cotidianos e… banda larga, qualquer um vai sozinho.
A novidade é que isso não depende, nem apenas, nem principalmente, da tecnologia stricto sensu e sim de novos padrões de organização social que estão se configurando na contemporaneidade. Uma sociedade em rede está emergindo e, progressivamente, tornando obsoletos as instituições e os processos hierárquicos da velha sociedade de massa, inclusive as instituições e processos educacionais. Novas tecnologias de informação e comunicação – que permitem a interação horizontal ou entre pares (pessoa-com-pessoa) em tempo real – estão acelerando esse processo. Mas novas tecnologias sociais, tão ou mais importantes do que essas (chamadas TICs), também estão contribuindo para mudar radicalmente as condições de vida e convivência social neste dealbar do século 21.
Tudo isso vai mudar - e em parte já está mudando - a maneira como executamos as nossas atividades empresariais, governamentais e sociais. Vai mudar a maneira como nos organizamos para produzir e comercializar, governar e legislar e conviver com as outras pessoas na sociedade. E – como não poderia deixar de ser – isso também está mudando a forma como aprendemos.
O problema é que as instituições e os processos educativos que foram pensados para um tipo de sociedade que está deixando de existir (à medida que emerge uma nova sociedade cuja morfologia e dinâmica já são, em grande parte, as de uma rede distribuída) ainda remanescem e continuam aplicando seus velhos métodos. Em que pese o papel fundamental que cumpriram nos últimos séculos, essas instituições e processos já começam hoje a ser obstáculos à criatividade e à inovação.
O que tivemos, pelo menos nos dois últimos séculos, foi, em grande parte, uma educação massiva e repetitiva, voltada para enquadrar as pessoas em um tipo insustentável de sociedade (instalando nas suas mentes programas maliciosos, elaborados para implantar noções de ordem, hierarquia, disciplina e obediência) e para adestrar a força de trabalho, para que os indivíduos pudessem reproduzir habilidades requeridas pelos velhos processos produtivos e administrativos e executar rotinas determinadas.
Agora estamos, porém, vivendo a transição para outra época, para uma nova era da informação e do conhecimento, na qual as capacidades exigidas são outras também. Nesta nova sociedade do conhecimento, o que se requer é que as pessoas sejam capazes de criar e de inovar, mudando continuamente os processos de produção e de gestão para descobrir maneiras melhores de fazer e organizar as coisas. E isso elas só conseguirão na medida em que tiverem autonomia para aprender o que quiserem, da forma como quiserem e quando quiserem e para se relacionar produtivamente com outras pessoas de sua escolha, gerando cada vez mais conhecimento – o principal bem, conquanto intangível, deste novo mundo que já está se configurando.
Faz-se necessário, pois, libertar o processo educativo das amarras que tentam normatizá-lo de cima para baixo, em instituições organizadas igualmente de cima para baixo, hierarquizadas, burocratizadas e fechadas, desenhadas para guardar em caixinhas o suposto conhecimento a ser transferido, de uma maneira pré-determinada, para indivíduos que preencherem determinadas condições (e, não raro, à revelia do que eles próprios desejariam de fato aprender). Ora, já se viu que o conhecimento é uma relação social e não um objeto que possa ser estocado, transportado, transferido ou transfundido de um emissor para um receptor. O processo de geração e compartilhamento do conhecimento ocorre na sociedade e torna-se cada vez mais difícil, custoso e improdutivo quando tentamos parti-lo em pedaços para arquivá-lo nos escaninhos de uma organização separada da sociedade por paredes opacas e impermeáveis.
O que de tão importante se descobriu nos últimos anos é que, em última instância, quem é educadora é a sociedade, a cidade, a localidade onde as pessoas vivem e se relacionam. Na verdade, foi uma redescoberta democrática: Péricles, no século 5 a. E. C., já havia percebido este papel educador da polis enquanto comunidade política, quando declarou – segundo Tucídides – na oração fúnebre proferida no final do primeiro ano da guerra do Peloponeso, “que a cidade inteira é a escola da Grécia e creio que qualquer ateniense pode formar uma personalidade completa nos mais distintos aspectos, dotada da maior flexibilidade e, ao mesmo tempo, de encanto pessoal”.
Portanto, sistemas educativos deveriam ser, sempre, sistemas sócio-educativos configurados em localidades, em sócio-territorialidades, quer dizer, em redes sociais que se conformam como comunidades compartilhando agendas de aprendizagem.
Foi com base nessas considerações que surgiu a idéia de induzir a formação de comunidades de aprendizagem – estruturadas em rede – que receberam, então, por analogia com os Arranjos Produtivos Locais (APL), o nome de Arranjos Educativos Locais (AEL). A analogia tem um fundamento. Assim como os APL pretendem aproveitar o capital social de uma localidade como alavanca para induzir a formação do capital econômico, os AEL tentam fazer a mesma coisa para induzir a formação do capital humano.
OS ARRANJOS EDUCATIVOS LOCAIS (AEL) COMO EXEMPLO DE SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Arranjos Educativos Locais são uma forma de sistema sócio-educativo. São pessoas que se conectam em rede, em uma localidade, para aprender juntas.
São locais, mas entendendo-se local como cluster, como sócio-territorialidade: pessoas conectadas com uma certa configuração – ou arranjadas de determinada maneira – criando um ambiente capaz de favorecer o processo educativo.
Esse ambiente não é conformado pelas instituições hierárquicas já estabelecidas na localidade e nem pelos recursos materiais disponíveis (salas, prédios e outros equipamentos) e sim pela rede social composta por pessoas interagindo. Quanto mais distribuída e conectada for essa rede, mais o ambiente será favorável ao aprendizado individual e coletivo.
Os AEL estão baseados na idéia de que, para aprender, uma pessoa deve aprender a buscar com autonomia o que lhe interessa da sua própria maneira (tornando-se um buscador) e aprender a compartilhar o que buscou com outras pessoas gerando conhecimento a partir dessa interação (tornando-se um polinizador).
Os AEL não são sistemas educativos (como as escolas) e sim sistemas sócio-educativos. Eles envolvem sempre, necessariamente, uma parcela da sociedade local onde se situam e estão voltados para o desenvolvimento humano e social sustentável (das pessoas e das comunidades) dessa localidade.
Qualquer pessoa que tomar a decisão de catalisar um processo educativo será capaz de fazê-lo em relação àqueles temas com que tenha alguma intimidade. Desde que queira fazer isso. Desde que goste de compartilhar.
Começando pelo mais básico: quem aprendeu a ler, escrever e contar – mesmo que só um pouquinho – pode ajudar outras pessoas a aprenderem isso também; e o melhor é que, assim procedendo, pode aprender ainda mais.
Um jovem que adquiriu habilidades de navegar e publicar na Internet pode ajudar outras pessoas a também adquirir, pelo menos, parte dessas habilidades. Uma pessoa idosa que desenvolveu, ao longo de anos e anos de experimentação, suas próprias práticas de permacultura, pode refazer seu itinerário de aprendizagem com outras pessoas, jovens ou adultas. Fazendo isso não só terá oportunidade de compartilhar o que sabe, mas também de reaprender o que já esqueceu que sabe. E criará conhecimento novo sobre o assunto.
Esta é a essência do AEL.
QUALQUER PESSOA PODE ARTICULAR UM SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Sim, qualquer pessoa ou grupo de pessoas pode tomar a iniciativa de articular e animar um sistema sócio-educativo, como, por exemplo, um AEL. Desde não caia em qualquer uma (ou várias) das sete tentações seguintes:
1 – Reeditar, sob qualquer forma ou a qualquer pretexto, a relação professor-aluno.
2 – Definir currículos top down.
3 – Separar os grupos (comunidades de aprendizagem) por idade, escolaridade ou por qualquer outro critério que não seja o interesse.
4 – Tratar o conhecimento como objeto (que possa ser transferido segundo o padrão emissor-receptor) e não como relação (o conhecimento se reinventa toda vez que uma interação entre sujeitos do processo educativo se realiza).
5– Estabelecer um padrão de ensino no lugar de aprendizagem: os AEL não dão cursos, nem têm classes ou turmas, mas somente comunidades de aprendizagem, clusters conformados a partir de agendas compartilhadas de aprendizagem.
6 – Focalizar o trabalho na melhoria da escola, tentar complementá-la ou suplementá-la, ou montar uma escola ou para-escola dita “alternativa” ou “nova”.
7 – Estabelecer uma hierarquia, mesmo que meritocrática, encarando os agentes comunitários de educação (stricto sensu, os catalisadores, facilitadores ou mediadores do processo de aprendizagem) como superiores, em algum sentido, aos demais agentes comunitários de educação (lato sensu, as pessoas que interagem nas comunidades – em rede – de aprendizagem): no AEL todos são aprendentes.
Conseguir não-fazer essas coisas já seria suficiente. Mas isso, infelizmente, é bem mais difícil do que parece. Na frente de um grupo qualquer de pessoas desejosas de aprender alguma coisa, somos tomados - se avaliamos que sabemos mais do que elas sobre algum assunto - por uma irrefreável compulsão de ensinar, de se comportar como professor, como um sujeito acima que vai então transfundir o seu conhecimento para os que estão abaixo. Na verdade, isso parece ser uma pulsão mesmo, um vaga inconsciente que vem lá daquelas profundezas escuras onde foram e permanecem implantadas as matrizes das separações - entre fortes e fracos, ricos e pobres, sábios e ignorantes, enfim, entre superiores e inferiores - que geraram esse tipo de civilização em que vivemos.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
ARRANJOS EDUCATIVOS LOCAIS: UM SONHO QUE COMEÇA A SE TORNAR REALIDADE
Há muito venho sonhando com isso. Agora parece que a coisa vai.
A partir dessa visão básica (abaixo), que foi modificada após várias discussões, o SESI-PR elaborou um novo programa que começará a ser aplicado, em fase piloto, em duas localidades do Paraná, ainda no primeiro semestre de 2009.
Os AEL – Arranjos Educativos Locais – são clusters de aprendizagem. São, na verdade, aglomerados locais de pessoas e organizações (presentes sempre por meio de pessoas) que se formam criando ambientes favoráveis às interações educativas.
Os AEL não são apenas sistemas educativos – como as escolas e outros aparatos burocráticos, hierárquicos, voltados ao ensino – e sim sistemas sócio-educativos. Isso significa, em primeiro lugar, que eles não são “arranjos de ensino locais” (como também caberia na sigla AEL). Mas isso também significa, em segundo lugar, que eles pretendem aproveitar o capital social existente em uma dada localidade para impulsionar ou alavancar o desenvolvimento do capital humano.
Os AEL são uma forma de communityschooling, porém na linha do unschooling; quer dizer, de educação comunitária viabilizada por meio da conformação de comunidades de aprendizagem (e não de “ensinagem”, para usar a boa e vingativa expressão do educador José Pacheco). Ou seja, os AEL não pretendem substituir o sistema escolar, complementá-lo ou suplementá-lo (tapando os buracos eventualmente deixados pela escola), embora possam trabalhar em sinergia com os agentes escolares.
Por último, os AEL são para todos os que quiserem participar de comunidades de aprendizagem e não apenas para as crianças, ou para os jovens e, muito menos, somente para os pobres. Faz sentido, entretanto, que, diante das deficiências do quadro educacional brasileiro, haja uma priorização na faixa etária correspondente ao ensino fundamental básico.
Um AEL é composto por agentes comunitários de educação, lato sensu. Todas as pessoas que participam de um Arranjo Educativo Local, individualmente ou representando uma organização social, empresarial ou governamental, são – no sentido mais geral da expressão – agentes comunitários de educação, inclusive os assim chamados “alunos”.
Nos AEL não há a figura do professor e do aluno, que são próprias dos sistemas burocráticos (e hierárquicos) de ensino. Em um AEL todos são sujeitos da aprendizagem.
Em um sentido estrito, porém, podem ser chamados de Agentes Comunitários de Educação (ACE) os catalisadores de processos de aprendizagem, especialmente preparados e voltados (motivados e capacitados) para essa função. Tais agentes (os ACE stricto sensu) são necessários para desencadear o processo de formação dos AEL.
Podem participar da organização dos AEL quaisquer pessoas interessadas nos seus objetivos, independentemente de escolaridade ou de posição institucional. Mas para que o arranjo se conforme e se sustente no início é necessário atrair participantes da área governamental, empresarial e social que também sejam apoiadores da iniciativa.
São dois os objetivos fundamentais dos AEL: aprender a aprender a aprender a conviver (com o meio natural e com o meio social).
Aprender a aprender é a condição fundamental geral para a livre aprendizagem humana em uma sociedade inteligente. Esse objetivo poderia ser formulado assim: ensejar oportunidades aos educandos de “andar com as próprias pernas”, transformando-se em buscadores cada vez mais autônomos e polinizadores-mútuos (ou construtores coletivos de conhecimentos) cada vez mais interdependentes (do auto-didatismo para o comum-didatismo; e do lema “eu busco o conhecimento que me interessa do meu próprio jeito”, para o lema “eu guardo o meu conhecimento nos meus amigos” e para o lema “nós produzimos nosso conhecimento comunitariamente”).
Aprender a conviver com o meio natural e com o meio social é a condição fundamental para a sustentabilidade – ou para o desenvolvimento humano e social sustentável – (da localidade onde se instala o AEL).
Os AEL são espaços de compartilhamentos de agendas de aprendizagem compatíveis com seus objetivos (‘aprender a aprender’ e ‘aprender a conviver’).
Um AEL não é uma outra – velha ou nova – escola, nem uma espécie de “para-escola”. Em um AEL não há, portanto, propriamente falando, um currículo e sim agendas de aprendizagem que são construídas coletivamente.
Dessas agendas deverão constar aqueles conhecimentos ou habilidades necessárias para a realização dos dois grandes objetivos dos AEL.
Sugerem-se sete drives de aprendizagem (que também podem ser chamados de “Sete Alfabetizações”). Sobre todos ou alguns desses drives – “alfabetizações” – cada AEL construirá sua própria agenda.
1) a alfabetização propriamente dita, na língua natal (ler e escrever e interpretar o que leu: no caso, em português);
2) em uma segunda língua da globalização (pelo menos ler, em inglês ou espanhol);
3) matemática (dominar as operações matemáticas elementares e aplicar esses conhecimentos básicos na vida cotidiana);
4) lógica (aprender a argumentar e identificar erros lógicos em argumentos simples);
5) digital (navegar e publicar na Internet e operar as ferramentas digitais de inserção, articulação e animação de redes virtuais e blogosferas);
6) em sustentabilidade (incluindo alfabetização ecológica e alfabetização para o empreendedorismo – a pedagogia empreendedora – e para o desenvolvimento humano e social sustentável local ou comunitário); e
7) democrática (para a vida comunitária e para as formas de relacionamento que ensejam a regulação social emergente; i. e., as redes sociais distribuídas).
Os AEL não dão cursos. O aprendizado acontece no compartilhamento de agendas em torno desses e outros temas, em um processo catalisado pelos Agentes Comunitários de Educação. Isso significa que se formarão grupos para fazer coisas juntas (‘aprender-fazendo’), onde todos aprendem, inclusive os ACE, os professores eventualmente participantes e os representantes dos apoiadores institucionais (que ainda que possam ter títulos acadêmicos de graduação, mestrado ou doutorado, são – via de regra – analfabetos democráticos ou em sustentabilidade e, muitas vezes, analfabetos digitais, quando não em lógica, para dizer o mínimo).
Os métodos (pedagógicos) – sempre no plural – que serão utilizados na catalisação de cada agenda serão definidos a partir de um referencial conceitual que parte do conectivismo como teoria da aprendizagem e combina métodos de auto-didatismo (incluindo alguns processos já consagrados no homeschooling) com métodos de comum-didatismo (communityschooling). Para cada drive – e respectiva agenda de aprendizagem – já existem processos específicos desenvolvidos e trata-se de adaptá-los (como, por exemplo, a chamada “pedagogia empreendedora”, no caso do empreendedorismo) sem, porém, criar qualquer tipo de ortodoxia.
Baseados no conectivismo como nova teoria da aprendizagem, os AEL se organizam como redes distribuídas de pessoas, ou seja, como redes sociais, articuladas e animadas presencialmente e à distância.
Essas redes devem ter o grau máximo de distribuição e conectividade (todos-com-todos) de sorte a ensejar a geração de verdadeiras comunidades (de aprendizagem). Delas participam os agentes (stricto sensu, os AEC – Agentes Comunitários de Educação), os participantes (educandos), as pessoas que representam os parceiros institucionais e outros stakeholders sociais da iniciativa.
Não há nem deve haver, portanto, estrutura hierárquica (à semelhança das burocracias escolares e acadêmicas) nos AEL.
Em geral um mesmo AEL pode se dedicar a várias agendas de aprendizagem e, portanto, pode contar com vários grupos. Mais de um espaço físico pode ser utilizado dentro da localidade. Além disso, várias atividades das agendas de aprendizagem podem ser realizadas nas ruas, praças, margens ou cabeceiras de rios, lagos ou outras áreas públicas ou privadas. O tempo de ocupação dos espaços físicos prediais deverá ser administrado de acordo com as agendas de aprendizagem e o número de grupos envolvidos.
Além disso, é necessário ter uma equipe de Agentes Comunitários de Educação capazes de catalisar processos de aprendizagem em, pelo menos, alguns dos drives que darão origem as agendas que serão compartilhadas. Um processo de recrutamento, seleção e capacitação desses agentes é, portanto, condição para iniciar o trabalho.
Os ACE, dependendo da sua dedicação, podem até ser remunerados, mas é essencial que trabalhem no espírito do voluntariado (e sem horário fixo de trabalho). Cabe a eles também visitar regularmente as pessoas da localidade, de preferência de casa em casa (tal como fazem os Agentes Comunitários de Saúde) no início para explicar o projeto e, depois, para relatar os avanços obtidos e as dificuldades encontradas, mantendo as pessoas informadas.
Cabe ainda aos ACE fazer o netweaving da rede virtual que se organizará em cada AEL, administrando a plataforma interativa utilizada.
Dessa rede virtual farão parte não apenas as pessoas que participam presencialmente do AEL, mas também as que estiverem interessadas em acompanhar a experiência. Essa ligação com a sociedade são as raízes sociais do programa, o seu lastro de capilaridade social. É por meio desses “dutos” que o capital social da localidade será “importado” como um recurso capaz de fazer a diferença. Estima-se que pelo menos 1% das pessoas da localidade (bairro, distrito, município – no caso de municípios pequenos – ou outra unidade de vizinhança) deverão estar conectadas no AEL. Isso, de certa maneira, delimita o tamanho populacional da localidade escolhida para a implantação do AEL (o ideal é uma rede de até 150 membros – onde é possível realizar o ‘todos-com-todos’ –, o que significa uma localidade com no máximo 15.000 pessoas; mas é possível trabalhar com localidades um pouco maiores, não muito). Neste 1% devem estar os que cumprem papéis de destaque na sociedade do ponto de vista da rede social (como os hubs, os inovadores e os netweavers).
Postei este resumo inicialmente na Rede Vivo Educação, onde foi criado um novo grupo chamado Sistemas Sócio-Educativos que está tentando definir o seu escopo.
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/arranjos-educativos-locais-um
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http://jfjug.dev.java.net
http://tukanu.dev.java.net
"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda." (Cecília Meireles)
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Gaia Education - Design em Sustentabilidade
http://gaia2009.blogspot.com/É um curso de âmbito mundial, é dado simultaneamente em todos os continentes e diz respeito à técnicas de sustentabilidade em vários níveis e setores.Conteúdo:O currículo está organizado como uma mandala que aborda quatro dimensões intrínsecas da experiência humana: Dimensão Social; Dimensão Ecológica; Dimensão Econômica; Dimensão Visão de Mundo.
Dimensão Social
·Construindo Comunidade, Abraçando Diversidade;
· Ferramentas de Comunicação, Resolução de Conflitos, Facilitação e Tomada de Decisão
· Liderança Circular num Mundo de Imprevisibilidade e Complexidade;
· Celebração da Vida e Arte;
· Vizinhança Sustentável, Biorregionalismo e Globalização.
Dimensão Ecológica
. Desenho Integrado;
· Bioconstrução e Restauração Ecológica;
· Produção Local de Alimentos;· Tecnologias Apropriadas e Responsáveis;
· Restauração e Conservação da Natureza.Dimensão Econômica· Transformar a Economia Global em Economia Social;
· Sustento Justo;
· Investimentos Socialmente Responsáveis;
· Bancos Éticos e Moedas Comunitárias;
· Captação de Recursos, Questões Legais e Financeiras.
Dimensão Visão de Mundo
· Visão Holística Integrada;
· Escuta e reconexão com a Natureza;
· Despertar e Transformação da Consciência;
· Saúde Integral;· Espiritualidade Socialmente Engajada.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3tese_de_Gaia
A Hipótese de Gaia, também denominada como Teoria de Gaia, é uma tese que sustenta ser o planeta Terra um ser vivo. A hipótese foi apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, afirmando que a biosfera do planeta é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio-ambiente. Para chegar a essas conclusões, o cientista britânico, juntamente com a bióloga estadunidense Lynn Margulis analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem.
O nome Gaia é uma homenagem à deusa grega Gaia, da Terra. Vista com descrédito pela comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia encontra simpatizantes entre grupos ecológicos, místicos e alguns pesquisadores. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas. - Gaia, Géia ou Gê era a deusa da Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora quase absurda. Segundo Hesíodo, ela é a segunda divindade primordial, nascendo após Caos. Tal como Caos, Gaia parece possuir uma natureza forte, pois gera sozinha, Urano, Pontos e as Montanhas. Hesíodo sugere que ela tenha gerado Urano com o desejo de se unir a alguém semelhante a si mesma em natureza. Isso porque Gaia personifica a base onde se sustentam todas as coisas, e Urano é então o abrigo dos deuses "bem-aventurados".
- Pacha Mama, do quíchua Pacha ("universo, mundo, tempo, lugar") e de Mama ("mãe"): "Mãe terra" , é a deidade máxima dos Andes peruanos, bolivianos, do noroeste argentino e do extremo norte do Chile. Pacha Mama é uma Deusa, que produz, que engendra. Sua morada está no Carro Branco (Nevado de Cachi), e se conta que no cume há um lago que rodeia uma ilha. Esta ilha é habitada por um touro de chifres dourados que ao mugir emite pela boca núvens de tormenta. O mito de Pacha Mama referia-se primitivamente ao tempo, talvez vinculada de alguma forma com a terra: o tempo que cura as dores, o tempo que distribui as estações, fecunda a terra. Pacha significa tempo em linguagem kolla, porém com o transcurso dos anos, as alterações da língua, e o predomínio de outras raças, terminou confundindo-se com a terra. Dia primero de agosto é o dia de Pacha Mama. Nesse dia se enterra em um lugar próximo da casa uma panela de barro com comida cozida. Também se põe coca, yicta, álcool, vinho, cigarros e chicha para alimentar Pacha Mama. Nesse mesmo dia deve-se pôr cordões de fio branco e preto, confeccionados com lã de lhama enrolando-se à esquerda. Estes cordões se atam nos tornozelos, nos pulsos e no pescoço, para evitar o castigo de Pacha Mama.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Sequência Fibonacci
Leonardo Pisano ou Leonardo de Pisa (1170 — 1250) - também conhecido como Fibonacci após a sua morte - foi um matemático italiano, dito como o primeiro grande matemático europeu depois da decadência helênica. É considerado por alguns como o mais talentoso matemático da Idade Média. Ficou conhecido pela descoberta da sequência de Fibonacci e pelo seu papel na introdução dos algarismos árabes na Europa
Na prática: você começa com 0 e 1, e então produz o próximo número de Fibonacci somando os dois anteriores para formar o próximo. Os primeiros Números de Fibonacci (sequência A000045 na OEIS) para n = 0, 1,... são
0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377, 610, 987, 1597, 2584, 4181, 6765, 10946...
Esta seqüência foi descrita primeiramente por Leonardo de Pisa, também conhecido como Fibonacci (Dc. 1200), para descrever o crescimento de uma população de coelhos. Os números descrevem o número de casais em uma população de coelhos depois de n meses se for suposto que:
- no primeiro mês nasce apenas um casal,
- casais amadurecem sexualmente (e reproduzem-se) apenas após o segundo mês de vida,
- não há problemas genéticos no cruzamento consangüíneo,
- todos os meses, cada casal fértil dá a luz a um novo casal, e
- os coelhos nunca morrem.
Na espiral formada pela folha de uma bromélia, pode ser percebida a sequência de Fibonacci, através da composição de quadrados com arestas de medidas proporcionais aos elementos da sequência, por exemplo: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13... , tendentes à razão áurea. Este mesmo tipo de espiral também pode ser percebida na concha do Nautilus marinho.
